AAMPARA

Associação de Atendimento e Apoio ao Autista

autismo

Transtorno do Espectro Autista (TEA)

8O autismo é considerado, atualmente, um transtorno do desenvolvimento de causas neurobiológicas, definido de acordo com critérios eminentemente clínicos. (SCHWARTZMAN, 2011, p.37)
As características básicas do autismo são marcantes nas áreas da comunicação, da interação social e do comportamento.
O autismo manifesta-se antes de 3 anos de idade, mais em meninos do que em meninas numa proporção de uma menina em cada quatro meninos com diagnóstico de autismo. 

Está dentro do grupo dos Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID), sendo denominado Transtorno do Espectro Autista (TEA), terminologia utilizada em razão da complexidade do quadro e da diversidade de sintomas, com vários graus de comprometimento. 

De acordo com a cartilha Autismo: Guia Prático, 7ª edição, da Associação de Amigos do Autista – AMA, as principais características do espectro são:

 

Dificuldade de comunicação

Caracterizada pela dificuldade em utilizar com sentido todos os aspectos da comunicação verbal e não verbal. Isto inclui gestos, expressões faciais, linguagem corporal, ritmo e modulação na linguagem verbal.
Portanto, dentro da grande variação possível na severidade do autismo, poderemos encontrar uma criança sem linguagem verbal e com dificuldade na comunicação por qualquer outra via – isto inclui ausência de uso de gestos ou um uso muito precário dos mesmos; ausência de expressão facial ou expressão facial incompreensível para os outros e assim por diante – como podemos, igualmente, encontrar crianças que apresentam linguagem verbal, porém esta é repetitiva e não comunicativa.

Muitas das crianças que apresentam linguagem verbal repetem simplesmente o que lhes foi dito. Este fenômeno é conhecido como ecolalia imediata. Outras crianças repetem frases ouvidas há horas, ou até mesmo dias antes; é a chamada ecolalia tardia.
É comum que crianças que têm autismo e são inteligentes repitam frases ouvidas anteriormente e de forma perfeitamente adequada ao contexto, embora, geralmente nestes casos, o tom de voz soe estranho e pedante.

 

Dificuldade de sociabilização

Este é o ponto crucial no autismo, e o mais fácil de gerar falsas interpretações. Significa a dificuldade em relacionar-se com os outros, a incapacidade de compartilhar sentimentos, gostos e emoções e a dificuldade na discriminação entre diferentes pessoas.
Muitas vezes a criança com autismo aparenta ser muito afetiva, por aproximar-se das pessoas abraçando-as e mexendo, por exemplo, em seu cabelo, ou mesmo beijando-as, quando na verdade ela adota indiscriminadamente esta postura, sem diferenciar pessoas, lugares ou momentos.

Esta aproximação usualmente segue um padrão repetitivo e não contém nenhum tipo de troca ou compartilhamento.
A dificuldade de sociabilização, que faz com que a pessoa com autismo tenha uma pobre consciência da outra pessoa, é responsável, em muitos casos, pela falta ou diminuição da capacidade de imitar, que é um dos pré requisitos cruciais para o aprendizado, e também pela dificuldade de se colocar no lugar do outro e de compreender os fatos a partir da perspectiva do outro.

 

Dificuldade no uso da imaginação

Se caracteriza por rigidez e inflexibilidade e se estende às várias áreas do pensamento, linguagem e comportamento da criança.
Isto pode ser exemplificado por comportamentos obsessivos e ritualísticos, compreensão literal da linguagem, falta de aceitação das mudanças e dificuldades em processos criativos.

Esta dificuldade pode ser percebida por uma forma de brincar desprovida de criatividade e pela exploração peculiar de objetos e brinquedos.
Uma criança que tem autismo pode passar horas a fio explorando a textura de um brinquedo.
Em crianças que têm autismo e têm a inteligência mais desenvolvida, pode-se perceber a fixação em determinados assuntos, na maioria dos casos incomuns em crianças da mesma idade, como calendários ou animais pré-históricos, o que é confundido, algumas vezes, com nível de inteligência superior.
As mudanças de rotina, como mudança de casa, dos móveis, ou até mesmo de percurso, costumam perturbar bastante algumas destas crianças.

 
Bibliografia

SCHWARTZMAN, J.S.; ARAÚJO, C.A.(Org.).Transtornos do Espectro do Autismo, São Paulo: Memnon, 2011. 327 p.

MELLO, A.M.S.R.Autismo: guia prático. 7ª ed.São Paulo: AMA; Brasília: Corde, 2007. 104 p.

ASSUMPÇÃO, F.B.; KUCZYNSKI, E. K. Diagnóstico diferencial psiquiátrico no Autismo Infantil. In: SCHWARTZMAN, J.S.; ARAÚJO, C. A. (Org.). Transtornos do Espectro do Autismo, São Paulo: Memnon, 2011. p.43-54.

 

 

Importante: 

Estas informações foram reunidas com a intensão de esclarecer algumas particularidades do autismo, mas todo o diagnóstico, tratamento e intervenções terapêuticas devem ser prescritos por um profissional da saúde habilitado para tal.

Diagnóstico Clínico

Deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, contemplando uma análise biológica, psicológica e social, utilizando-se de protocolos específicos visando um diagnóstico diferenciado da criança com características autisticas. 

De acordo com ASSUMPÇÃO e KUCZYNSKI (2007, p. 52-53), poderão ser feitas as seguintes investigações clínicas com o objetivo de definir o diagnóstico:

-   Pesquisa de antecedentes gestacionais
-   Avaliações neuropsiquiátricas, genéticas e metabólicas

-   Aplicação de escalas e instrumentos de avaliação
-   Testes de linguagem, audição e oftalmológicos
-   Neuroimagem
-   Eletroencefalograma
-   Exames laboratoriais
-  Psicometria, que fará uma abordagem de personalidade, desenvolvimento motor, mental não verbal, cognição sensório motora, eficiência intelectual e sociabilidade e outros.

É importante ressaltar que não existe uma causa específica para o autismo, porem todo diagnóstico clínico baseia-se em observação dos prejuízos no desenvolvimento padrão da criança.

Até o momento não existe nenhum exame laboratorial que possa definir o diagnóstico, embora alguns sejam necessários para definir formas particulares de tratamento, bem como a medicação que será prescrita para controle de sintomas.

Os instrumentos de triagem desenvolvidos para identificar alterações de comportamento em relação ao esperado para a faixa etária, embora não sejam conclusivos, podem ajudar na identificação dos sinais de alerta.

Entre os mais utilizados, estão o M-CHAT que foi desenvolvido para identificar crianças com risco de autismo dos 18 aos 24 meses de idade.

Esta escala é composta de 23 questões do tipo sim ou não e leva em consideração a observação dos pais com relação ao comportamento do filho nesse período.  

Ao realizar o questionário se houver no mínimo três respostas alteradas, os pais devem procurar o pediatra e buscar uma investigação mais detalhada, para que caso seja identificado o autismo, a criança seja acompanhada o mais precocemente possível.

Quanto mais cedo for identificado e diagnosticado o autismo, maiores são as chances de sucesso na intervenção e maior as possibilidades de diminuir os sintomas.

Clique aqui e responda ao Instrumento de Triagem para Autismo M-CHAT (Autismo & Realidade, 2014)

Bibliografia: 

SCHWARTZMAN, J.S.; ARAÚJO, C.A.(Org.).Transtornos do Espectro do Autismo, São Paulo: Memnon, 2011. 327 p.

MELLO, A.M.S.R.Autismo: guia prático. 7ª ed.São Paulo: AMA; Brasília: Corde, 2007. 104 p.

ASSUMPÇÃO, F.B.; KUCZYNSKI, E. K. Diagnóstico diferencial psiquiátrico no Autismo Infantil. In: SCHWARTZMAN, J.S.; ARAÚJO, C. A. (Org.). Transtornos do Espectro do Autismo, São Paulo: Memnon, 2011. p.43-54.

 

 Importante:

 Estas informações foram reunidas com a intensão de esclarecer algumas particularidades do autismo, mas todo o diagnóstico, tratamento e intervenções terapêuticas devem ser prescritos por um profissional da saúde habilitado para tal.

 

 Alerta para os profissionais de saúde

 

Autismo é prevalente

Uma em seis crianças é diagnosticada com problemas de desenvolvimento e comportamento

Uma em cada 166 é diagnosticada dentro do espectro autista

Lembrar

Problemas de desenvolvimento apresentam sinais discretos e podem passar despercebidos

Sinais precoces de autismo podem estar presentes antes dos 18 meses

Agir precocemente

Vigilância e triagem são importantes pontos de sua pratica clinica

Utilizar instrumentos apropriados de triagem quando necessário

Reconhecer sinais de alerta (atraso de linguagem, falta de reciprocidade social, comportamentos atípicos)

Melhorar a qualidade de vida das crianças e suas famílias através de intervenção precoce

Referir

Para um programa de intervenção precoce ou escola apropriada

Para um especialista ou equipe para confirmação diagnostica

Para uma avaliação sensorial imediata

Para os recursos da comunidade (escolar, saúde) para auxilio as famílias

Monitorar

Marcar acompanhamento para discutir a evolução

Observar aparecimento tardio de outros comportamentos ou características do paciente

Buscar outras características de comportamento e fenotípicas

Oferecer aos pais atualização e informação sobre o assunto

Advogar a favor dos direitos da criança e sua família em busca de benefícios para intervenção

Escutar

A informação dos pais porque ela é acurada e de qualidade

Os pais em geral têm uma ideia muito clara de que algo está errado

Quando os pais não trazem o problema pergunte se eles têm alguma dúvida sobre o desenvolvimento do seu filho

Bibliografia:

Halpern R, 2010 adaptado de Autism A.L.A.R.M. Project from AAP, National Center on Birth Defects and Developmental disabilities CDC. Disponível em: http://www.sbp.com.br/show_item2.cfm?id_categoria=52&id_detalhe=4133&tipo_detalhe=s

 Métodos de intervenção

Os principais objetivos da intervenção, tanto nos quadros de autismo infantil quanto nos de síndrome de Asperger, estão na ampliação de habilidades de atenção compartilhada, reciprocidade social, regulação do comportamento e das emoções, linguagem e habilidades cognitivas relacionadas  (Perissonoto, 2011). Atualmente no Brasil, existem métodos de abordagem para trabalhar com os autistas, que são reconhecidamente eficazes.

 Procuramos reunir informações sobre os métodos terapêuticos mais utilizados. Clique e saiba um pouco mais sobre cada um.

 TEACCH –  Abordagem psicoeducativa, educacional e clinico

 PECS- Sistema de Comunicação por Troca de Figuras

 PECS 2- Sistema de Comunicação por Troca de Figuras

 Floortime – Abordagem desenvolvimentista

 ABA – Applied Behavior Analysis (Análise Aplicada do Comportamento)

 Son-Rise – Abordagem relacional

 Método Padovan – Reorganização Neurofuncional

 


AAMPARA Associação de Atendimento e Apoio ao Autista | Rosimere Benites - Presidente | (41) 8416-9537